Por Redação
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O anúncio de que cerca de 26 milhões de brasileiros deixaram a situação de insegurança alimentar nos últimos anos foi recebido com comemoração por representantes do governo federal. Os números indicam avanços importantes no combate à fome, mas uma denúncia enviada ao Portal Bahia Realidade levanta um questionamento que ecoa em milhares de lares pelo país: será que ter comida na mesa significa viver com dignidade?
A denúncia partiu de uma pessoa inscrita no Cadastro Único (CadÚnico), que demonstrou indignação ao ler as manchetes comemorando a redução da fome enquanto, segundo ela, muitas famílias continuam sem condições de pagar contas básicas.
“Falam que as pessoas saíram da fome, mas ninguém pergunta quantas estão com a energia cortada, quantas estão sem água, quantas precisam escolher entre comprar um botijão de gás ou colocar comida dentro de casa”, desabafou.
Em bairros periféricos, comunidades rurais e cidades do interior, uma realidade silenciosa se repete todos os meses.
Quando o dinheiro acaba antes do fim do mês, muitas famílias são obrigadas a tomar decisões difíceis:
Embora os indicadores oficiais apontem avanços no combate à fome, especialistas em assistência social alertam que a pobreza não pode ser medida apenas pela quantidade de alimentos consumidos.
Para milhares de beneficiários de programas sociais, o orçamento familiar continua insuficiente para cobrir todas as despesas básicas.
Em muitas casas, a geladeira está ligada, mas vazia. Em outras, existe comida, mas falta gás para cozinhar. Há famílias que recorrem a ligações improvisadas de energia, empréstimos informais e ajuda de vizinhos para conseguir atravessar o mês.
O aumento do custo de vida, das tarifas de energia elétrica, do preço do gás de cozinha e de diversos serviços essenciais continua pressionando os mais pobres.
Entidades que atuam no combate à pobreza defendem que o debate precisa avançar além dos indicadores de fome.
Ter acesso à água tratada, energia elétrica, saneamento básico, moradia adequada e condições mínimas de sobrevivência também faz parte da segurança social de uma família.
A crítica apresentada na denúncia recebida pelo Portal Bahia Realidade reflete uma percepção compartilhada por muitos brasileiros: a sensação de que os números oficiais nem sempre conseguem retratar as dificuldades enfrentadas dentro de casa.
Enquanto governos comemoram avanços em indicadores econômicos e sociais, milhões de brasileiros continuam enfrentando uma batalha diária para equilibrar despesas essenciais.
Para quem vive essa realidade, a pergunta é simples:
De que adianta ter saído da estatística da fome se ainda é preciso escolher entre comprar comida, pagar a conta de luz, abastecer a caixa d’água ou colocar um botijão de gás dentro de casa?