Ele chegou ao Oeste baiano quando aqui ainda não havia quase nada além de terra vermelha, coragem e a promessa de um Brasil que se construía longe dos holofotes. Décadas depois, o nome Faedo virou sinônimo de agronegócio, de comércio e, agora, de uma nova aposta: a política de mão firme e discurso sem rodeios. Rogério Faedo, um dos pioneiros que capitanearam a vinda da família para a Bahia na década de 1990, oficializa o que já era segredo guardado a sete chaves em Luís Eduardo Magalhães — ele quer ser deputado federal, e não esconde de que lado da trincheira pretende lutar.
A trajetória começa longe, na pequena Água Santa, no interior gaúcho, onde os imigrantes de origem italiana da família Faedo desembarcaram e passaram praticamente todo o século XX vivendo de duas tradições: a lavoura e o comércio metalúrgico. Mas o Rio Grande do Sul, com o tempo, ficou pequeno demais para os sonhos dos irmãos Faedo. No início dos anos 1990, parte da família decidiu arriscar tudo e atravessar o país atrás de terra fértil e de um futuro maior. O destino escolhido foi um vilarejo que ainda nem tinha nome de cidade: a futura Luís Eduardo Magalhães.
Uma família, duas tradições, um só destino
Enquanto a lavoura ganhava força a cada safra, a família tratou de trazer também a segunda vocação herdada do Sul. Em 1997, abriu as portas do comércio de autopeças, retífica de motores e oficina mecânica — negócio que, com o tempo, se tornaria referência regional, símbolo de que os Faedo não vieram para passar, vieram para ficar e prosperar.
Foi na virada dos anos 2000, com a emancipação política que transformou o antigo distrito de Mimoso do Oeste na atual Luís Eduardo Magalhães, que a história da família se confundiu de vez com a história da cidade. O agro decolou, a soja virou carro-chefe, e o município se transformou na quinta maior economia da Bahia — um crescimento que Rogério Faedo viu, e ajudou a construir, de perto.
O empresário que não tem medo de apontar o dedo
Homem de fala direta, Faedo não poupa críticas a quem, segundo ele, trata o campo como adversário em vez de tratá-lo como motor do país. Para o empresário, o setor que sustenta o Brasil é o mesmo que é tratado com desconfiança pelos governos federal e estadual.
"O agro hoje é responsável por 40% da cadeia do PIB e nos taxam de caloteiros e tantos outros termos pejorativos. Sem o agro não tem caminhão, não tem alimento na mesa, não tem roupa para vestir. É injusta a forma como o agro é tratado." Rogério Faedo, empresário rural
Ele lembra que uma máquina agrícola que custava R$ 500 mil há alguns anos hoje pode passar dos R$ 5 milhões, enquanto o preço pago pela produção não acompanha na mesma velocidade. "A agricultura vive momentos gloriosos de produção, mas muito apertado na rentabilidade", resume, cobrando do poder público não incentivo, mas o simples fim do que chama de entraves burocráticos.
Análise BRN
A narrativa de "empresário contra o Estado" tem sido, historicamente, um dos discursos mais eficazes para candidaturas de perfil produtivo no Oeste da Bahia, região que concentra o maior polo de irrigação do Nordeste e onde o agronegócio responde por parcela expressiva da economia local. Resta saber se o discurso de bastidor de fazenda se traduzirá em capital eleitoral nas urnas de outubro.
Da derrota por 33 votos ao sonho renovado
A paixão pela política não é nova — vem de berço. No Rio Grande do Sul, o pai de Rogério foi vereador e prefeito, e o próprio empresário chegou a disputar cargos por lá, perdendo por uma margem mínima: apenas 33 votos. Para ele, a derrota foi obra do destino. "Deus fechou uma porta, mas abriu uma janela", costuma repetir, atribuindo àquele revés o empurrão que o trouxe em definitivo para a Bahia, onde construiu, ao longo de mais de duas décadas, o patrimônio e o nome que hoje o credenciam como pré-candidato.
Desde então, nunca ficou fora do jogo político local — apoiou candidaturas, esteve presente na articulação pela emancipação de Luís Eduardo Magalhães e acompanhou de perto sucessivos pleitos municipais. Agora, o passo é maior: a pré-candidatura a deputado federal, com um discurso que não deixa dúvidas sobre a que veio.
Deus, pátria, família — e mão dura contra o crime
A plataforma que Rogério Faedo apresenta ao eleitorado baiano é declaradamente de direita e sem meio-termo: Deus acima de tudo, família como base, pátria acima de todos, liberdade com responsabilidade e — no ponto que mais tem ecoado entre eleitores cansados da insegurança — penas mais duras contra criminosos e facções.
"Sou um político de direita e busco defender Deus, pátria, família, liberdade e a propriedade privada. Por uma Bahia mais forte, mais livre e mais conservadora." Rogério Faedo
É um discurso que dialoga diretamente com o eleitor conservador do Oeste baiano — região de forte perfil produtivo, religioso e tradicional — e que aposta na imagem do empresário que "chegou do nada e construiu tudo com as próprias mãos" como prova viva de que trabalho, fé e ordem ainda vencem no Brasil.
"Meu sonho é ser prefeito de Luís Eduardo Magalhães. Quem sabe esse sonho não esteja reservado para se tornar realidade no futuro?", projeta Faedo, que por ora concentra as fichas na disputa por uma cadeira na Câmara Federal, prometendo levar a Brasília a voz de quem planta, produz e paga a conta — e cobra segurança e ordem em troca.
Enquanto o nome ganha corpo nos bastidores da política do Oeste, uma certeza já não é mais segredo: a família que ajudou a erguer Luís Eduardo Magalhães do chão agora quer erguer também uma bandeira em Brasília — e não pretende abaixá-la para agradar ninguém.