O roteiro, porém, mudou.
Entre lideranças partidárias e representantes de diversos segmentos, um nome passou a concentrar a atenção dos presentes: o policial penal Fábio Urso. Sua participação deixou de ser apenas mais uma presença na convenção para se transformar em um dos assuntos centrais do evento, impulsionada por um discurso de ruptura com práticas tradicionais da política e pela articulação de alianças consideradas estratégicas dentro do campo conservador.
Aliança reúne saúde, segurança e agronegócio
Ao longo da convenção, Urso apareceu ao lado da Dra. Raíssa Soares, do deputado estadual Diego Castro e de importantes lideranças do agronegócio baiano.
Para apoiadores, a composição simboliza a convergência de três áreas consideradas prioritárias para o eleitor conservador: saúde, segurança pública e desenvolvimento econômico.
Mais do que uma fotografia política, o gesto foi interpretado como sinal de aproximação entre lideranças que compartilham pautas relacionadas ao conservadorismo, à redução do tamanho do Estado, à defesa do setor produtivo e ao fortalecimento das instituições de segurança pública.
Um discurso de independência
Durante sua participação, Fábio Urso reforçou uma mensagem que tem repetido desde o início de sua pré-campanha: a necessidade de independência política e de mandatos voltados à entrega de resultados.
Ao criticar o que chama de “velha política”, afirmou que parlamentares precisam exercer seus mandatos com autonomia, fiscalizando governos, apresentando soluções e prestando contas diretamente à população, sem depender de acordos políticos ou disputas internas.
A defesa de uma atuação baseada em resultados, e não apenas em discursos, foi um dos pontos mais comentados por participantes do evento.
Tecnologia e liberdade financeira como bandeiras
Além das pautas tradicionais da direita, Urso apresentou propostas voltadas à modernização da administração pública.
Entre elas, destacou o uso de Inteligência Artificial para ampliar auditorias, combater desperdícios, identificar irregularidades e aumentar a eficiência na aplicação dos recursos públicos, especialmente nas áreas de saúde e segurança.
Na economia, apresentou uma agenda voltada à educação financeira. Segundo ele, a independência do cidadão também passa pela construção de patrimônio e pelo acesso ao mercado financeiro.
Como parte desse projeto, afirma oferecer gratuitamente orientações para que pessoas sem experiência possam iniciar investimentos na Bolsa de Valores com aportes a partir de R$ 200, defendendo que conhecimento financeiro é uma ferramenta de emancipação econômica.
Um novo espaço na direita baiana
Nos bastidores, a avaliação entre participantes foi de que Fábio Urso deixou a convenção em posição política mais fortalecida do que entrou.
Sua aproximação com Diego Castro, Dra. Raíssa Soares e representantes do agronegócio foi vista como um movimento capaz de ampliar sua projeção dentro da direita baiana, especialmente entre eleitores que buscam renovação sem abrir mão das pautas conservadoras.
Se antes a convenção seria lembrada apenas pela formalização das candidaturas, ao final do evento ela passou a ser associada ao surgimento de uma articulação política que pretende disputar espaço no debate estadual com um discurso centrado em segurança pública, eficiência administrativa, liberdade econômica e independência política.
A partir do dia 22 de julho, o nome de Fábio Urso passou a integrar, com mais intensidade, as discussões sobre a reorganização do campo conservador na Bahia. Para seus aliados, foi o momento em que uma pré-candidatura deixou de ser apenas uma aposta e passou a ser tratada como um projeto político em expansão.