Por Grace Gomes

O cenário político baiano começa a ganhar novos contornos com a movimentação de nomes que pretendem disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. Entre eles, Rogério Faedo vem ampliando sua presença política e aparece, segundo fontes ligadas ao cenário regional, como um nome que busca conquistar espaço entre eleitores do interior, especialmente aqueles ligados ao agronegócio, ao setor produtivo e ao campo conservador.
Empresário e produtor rural, Faedo tem construído sua trajetória política com um discurso voltado à defesa do produtor, da propriedade privada, da liberdade econômica e dos valores que identifica como conservadores.
Reportagens publicadas em 2026 apontam que Faedo mantém sua pré-candidatura a deputado federal pelo PL e que seu nome vem sendo associado à representação política do agronegócio e da direita no Oeste baiano.
Para entender por que uma candidatura com forte discurso ligado ao setor produtivo pode encontrar espaço no interior baiano, é preciso olhar para a própria história e economia da região de Irecê.
O Território de Identidade Irecê reúne 20 municípios: América Dourada, Barra do Mendes, Barro Alto, Cafarnaum, Canarana, Central, Gentio do Ouro, Ibipeba, Ibititá, Ipupiara, Irecê, Itaguaçu da Bahia, João Dourado, Jussara, Lapão, Mulungu do Morro, Presidente Dutra, São Gabriel, Uibaí e Xique-Xique. Segundo dados da SEI, o território possuía cerca de 413,7 mil habitantes no Censo 2022.
Irecê ocupa uma posição estratégica dentro desse conjunto. Com população de 74.507 habitantes no Censo 2022, o município é o principal centro populacional do território.
Mais do que uma cidade do interior, Irecê se consolidou como um importante polo regional de comércio, serviços e atividades ligadas ao campo.
A história de Irecê remonta ao processo de ocupação do interior baiano. Segundo registros históricos da Câmara Municipal, a área esteve inicialmente relacionada às antigas sesmarias concedidas durante o período colonial.
A região era conhecida como Carahybas e, em 1896, passou a ser chamada de Irecê, nome de origem indígena associado, segundo a tradição registrada pelo município, à ideia de “pela água” ou “à mercê da corrente”.
O município foi criado oficialmente pelo Decreto Estadual nº 1.896, de 2 de agosto de 1926, tornando-se posteriormente um dos principais centros urbanos do centro-norte baiano.
Hoje, Irecê apresenta uma realidade muito diferente daquela dos primeiros tempos, mas mantém uma característica fundamental: a forte ligação econômica e cultural com o interior e com a produção.
O campo continua tendo papel relevante na identidade econômica do território.
Dados do Governo da Bahia mostram que o Território de Irecê possui forte presença do setor agropecuário, além de comércio e serviços. Em levantamento estadual, comércio e serviços representavam 80,8% da atividade econômica, enquanto a agropecuária correspondia a 11,2% e a indústria a 8%.
Historicamente, a região também ganhou destaque nacional pela produção de mamona. Dados divulgados pelo Governo da Bahia apontaram que os municípios do território chegaram a responder por parcela expressiva da produção baiana da cultura.
É justamente nesse ambiente que o discurso de Rogério Faedo encontra uma conexão política importante: a defesa de quem produz.
A força política de uma candidatura regional não depende apenas de uma cidade. Ela passa pela capacidade de dialogar com diferentes realidades.
Em Irecê, existe uma forte concentração urbana e comercial. Em municípios como Lapão, João Dourado, Canarana, São Gabriel, América Dourada, Presidente Dutra e Uibaí, a relação com a produção rural também ajuda a formar a identidade econômica e social de milhares de famílias.
Mais ao norte, municípios como Xique-Xique, Itaguaçu da Bahia e Gentio do Ouro ampliam a diversidade econômica e territorial da região.
São realidades diferentes, mas existe um ponto de encontro: o interior quer ser ouvido em Brasília.
E é nesse espaço que Faedo tenta construir sua candidatura.
Rogério Faedo não aparece no cenário eleitoral apenas como um político tradicional. Seu discurso procura explorar justamente uma imagem diferente: a de alguém ligado ao setor produtivo e que pretende levar para a política federal as demandas de quem trabalha, empreende e produz.
Reportagem publicada em fevereiro de 2026 descreveu Faedo como empresário ligado ao setor produtivo e apontou seu nome como uma aposta do PL para a disputa por uma cadeira de deputado federal.
Outra publicação, de abril de 2026, registrou que Faedo permaneceu no PL e manteve sua pré-candidatura, destacando seu posicionamento conservador e sua atuação política junto ao campo da direita.
O posicionamento político de Faedo é apresentado em torno de três grandes pilares: produção, liberdade e conservadorismo.
Para seus apoiadores, a candidatura representa a possibilidade de levar ao Congresso Nacional uma voz mais próxima do produtor rural e das pessoas que vivem longe dos grandes centros políticos.
A proposta é transformar pautas do cotidiano do campo em agenda política: segurança no meio rural, infraestrutura, estradas, crédito, produção, defesa da propriedade privada, empreendedorismo e condições para que o produtor consiga continuar produzindo.
É uma narrativa que conversa diretamente com um eleitorado que muitas vezes reclama de uma política construída distante da realidade do interior.
A eleição para deputado federal é proporcional e extremamente competitiva. Na Bahia, dezenas de candidaturas disputam espaço e votos em diferentes regiões do estado.
Nesse cenário, Faedo tenta construir uma candidatura que ultrapasse os limites de seu município e alcance diferentes regiões, especialmente onde o discurso de defesa do setor produtivo encontra maior receptividade.
O desafio é transformar presença política em votos.
E esse é justamente o ponto que torna sua movimentação relevante: Faedo está tentando ocupar um espaço específico no eleitorado baiano — o do candidato ligado ao agro, ao empreendedorismo e ao campo conservador.
Ainda não há, nas fontes consultadas, uma pesquisa eleitoral específica que permita afirmar que Faedo esteja entre os candidatos mais competitivos da Bahia para deputado federal. Por isso, a expressão “nome forte” deve ser entendida como avaliação política e percepção de apoiadores e fontes ligadas à sua movimentação, e não como resultado de pesquisa eleitoral.
Durante décadas, boa parte das grandes decisões políticas da Bahia esteve concentrada nos maiores centros urbanos.
Mas o mapa econômico do estado mostra uma realidade muito mais ampla.
Do Oeste à região de Irecê, passando pelo São Francisco, Chapada, Piemonte e outras áreas do interior, existe uma população que depende diretamente da produção rural, do comércio, do transporte, das pequenas empresas e do empreendedorismo.
É justamente esse eleitor que Rogério Faedo pretende alcançar.
Sua mensagem é simples e direta: quem produz precisa ter voz onde as decisões são tomadas.
Mais do que apresentar uma candidatura, Rogério Faedo tenta vender uma ideia política: a de que o produtor rural, o empresário, o caminhoneiro, o empreendedor e o trabalhador do interior precisam de representantes que conheçam suas dificuldades.
Para seus apoiadores, essa é a principal força do projeto.
A candidatura também busca dialogar com eleitores que se identificam com posições conservadoras e com a direita. Publicações recentes sobre sua pré-candidatura destacam justamente esse posicionamento político.
Com 20 municípios e mais de 400 mil habitantes, o Território de Identidade Irecê possui peso político e eleitoral relevante dentro da Bahia.
E Irecê, além de polo regional, vem apresentando indicadores de desenvolvimento que chamaram atenção. Em 2025, a Prefeitura divulgou que o município havia alcançado a segunda colocação entre os municípios baianos no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, considerando dados de 2023.
Nesse ambiente de crescimento, comércio, serviços, produção rural e expansão regional, candidaturas que consigam dialogar simultaneamente com o campo e com a cidade podem encontrar espaço.
É essa ponte que Faedo pretende construir.
A história de Irecê foi construída por homens e mulheres que enfrentaram as dificuldades do sertão, trabalharam a terra, criaram famílias, abriram negócios e transformaram uma região marcada pela luta contra as adversidades em um dos polos mais importantes do interior baiano.
Agora, quase um século depois da emancipação do município, a política regional vive outro momento.
E Rogério Faedo quer fazer parte desse novo capítulo.
Do campo para Brasília.
Essa é a aposta.
Um candidato que procura transformar sua experiência no setor produtivo em discurso político e apresentar-se ao eleitor como uma alternativa ligada ao agro, ao empreendedorismo, à propriedade privada e aos valores conservadores.
A caminhada até outubro será longa, a disputa será acirrada e o eleitor terá muitas opções.
Mas uma coisa já está clara: Rogério Faedo quer deixar de ser apenas um nome do setor produtivo para se transformar em uma voz política do interior da Bahia.
E, em uma eleição em que cada região buscará seus representantes, o interior promete ter papel decisivo.