A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada em Camaçari, foi reativada pelo Governo Federal com investimento de R$ 100 milhões e capacidade de produzir 1.300 toneladas diárias de ureia — o equivalente a aproximadamente 5% da demanda nacional do insumo.
A retomada foi anunciada nesta quinta-feira (14) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e de demais autoridades. A operação da planta será terceirizada para a empresa Engeman.
"É a reabertura de mais uma fábrica fechada, hibernada. Essa fábrica foi fechada em 2019, persistiu hibernada, voltou a funcionar em 2023, fechada outra vez. E agora a gente retoma dessa vez com esforço da Petrobras e com a operação terceirizada da Engeman. Nós reabrimos a Fafen Sergipe, a ANSA no Paraná, e estamos em tratativas para finalização da construção da UFN-III no Mato Grosso do Sul."
De acordo com o Governo Federal, a reativação da planta em Camaçari permitirá a geração de 900 empregos diretos e 2.700 empregos indiretos, representando um impulso significativo para a economia baiana e para o setor agrícola nacional.
"A segurança alimentar do planeta, porque o Brasil é o celeiro do planeta. Com essas plantas funcionando, nós vamos ter 35% da capacidade retomada de produzir."
"O Brasil é o segundo maior produtor de alimento, tem hora que o terceiro, e está deficiente de fertilizante. O Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes. Dá orgulho de ver que a gente tem capacidade de ser competitivo em muitas áreas."
A retomada faz parte do Plano Nacional de Fertilizantes, lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 2022. A meta é atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050 por meio do desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições brasileiras, com ênfase na sustentabilidade, uso de nutrientes orgânicos e reaproveitamento de resíduos.
Os fertilizantes são insumos essenciais para a manutenção e aumento da produtividade agrícola nacional. Hoje, o Brasil importa cerca de 90% do fertilizante consumido pela agricultura — uma vulnerabilidade econômica e estratégica que o governo busca reduzir com a reativação das fábricas da Petrobras.
O analista político e econômico do Canal Rural, Miguel Daoud, comentou os desafios durante o Rural Notícias desta sexta-feira (15). Segundo ele, o Brasil ainda não é autossuficiente na produção de fertilizantes por conta do Custo Brasil e das altas taxas de juros: "O famigerado Custo Brasil que não é só inviável você produzir no Brasil fertilizantes, quase tudo é inviável. Hoje a maioria dos produtores rurais estão quebrando porque não conseguem sobreviver com uma taxa de juros absurda."
Apesar dos desafios apontados por analistas, o governo federal mantém o otimismo e ressalta o impacto positivo da reabertura para o agronegócio, para a geração de empregos e para a redução da dependência externa de insumos agrícolas essenciais.