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Aos 56 anos, lavradora baiana diz que foi a roça quem criou suas filhas e segue trabalhando enquanto aguarda a aposentadoria

Neste 28 de julho, quando o Brasil celebra o Dia do Agricultor, a história de Dona Helionarda dos Santos Gomes representa a realidade de milhares de homens e mulheres do campo que dedicaram a vida à agricultura. Aos 56 anos, ela continua trabalhando na lavoura para garantir o sustento da família, mesmo após décadas de trabalho e enquanto aguarda o reconhecimento do direito à aposentadoria como segurada especial.

Por Luiz Carlos Bergamo

Moradora da zona rural de Cristópolis, no oeste da Bahia, Dona Helionarda conhece a terra desde muito jovem. Ainda na adolescência, aprendeu com os pais os segredos do cultivo, da colheita e da vida no campo. Desde então, nunca deixou a agricultura.

Ao longo da vida, plantou milho, feijão, mandioca, hortaliças e outras culturas que garantiram o alimento da família e uma fonte de renda para enfrentar as dificuldades do dia a dia.

Hoje, aos 56 anos, ela afirma que tudo o que conquistou veio do trabalho na roça.

“Foi a agricultura que criou minhas filhas”

Durante entrevista ao Bahia Realidade News, Dona Helionarda falou com emoção sobre sua trajetória.

“Foi a agricultura que criou minhas duas filhas. Tudo o que elas tiveram veio do nosso trabalho na roça. Não foi uma vida fácil, mas nunca deixamos faltar comida dentro de casa. Tenho muito orgulho da profissão que escolhi.”

Ela conta que o trabalho começa cedo, antes mesmo do nascer do sol, e exige dedicação durante todo o ano.

Mesmo com as dificuldades, nunca pensou em abandonar a terra.

“A roça ensina a gente a ter paciência, fé e coragem. Cada plantio é uma esperança nova. Quando a chuva ajuda, a colheita recompensa todo o esforço.”

Esperança na aposentadoria

Apesar de já ter idade para solicitar a aposentadoria rural, Dona Helionarda ainda aguarda a conclusão do processo como segurada especial.

Enquanto o benefício não é concedido, continua trabalhando para garantir sua sobrevivência.

“Ainda não consegui me aposentar, mas sigo firme. Enquanto Deus me der saúde, continuo trabalhando. Espero que um dia meu direito seja reconhecido.”

A situação vivida por Dona Helionarda é semelhante à de muitos agricultores brasileiros que enfrentam dificuldades para comprovar o tempo de atividade rural, mesmo após uma vida inteira dedicada ao campo.

A força da mulher agricultora

Além do trabalho pesado, Dona Helionarda destaca o papel da mulher na agricultura familiar.

Segundo ela, as mulheres não apenas ajudam no plantio e na colheita, mas também administram a casa, cuidam da alimentação da família e muitas vezes assumem responsabilidades que vão além da propriedade rural.

“A mulher do campo trabalha dobrado. Cuida da casa, dos filhos e ainda enfrenta o sol forte na lavoura. É uma luta diária, mas feita com amor.”

Agricultura que alimenta o Brasil

Neste Dia do Agricultor, histórias como a de Dona Helionarda mostram que a agricultura vai muito além da produção de alimentos. Ela representa dignidade, tradição, perseverança e amor pela terra.

São milhares de agricultores e agricultoras que acordam antes do amanhecer para cultivar o alimento que chega diariamente à mesa dos brasileiros. São eles que movimentam a economia, fortalecem a agricultura familiar e mantêm vivas as comunidades rurais.

Ao final da entrevista, Dona Helionarda deixou uma mensagem de incentivo aos jovens e aos trabalhadores do campo.

“Nunca tenham vergonha de dizer que são agricultores. É da terra que sai o alimento que sustenta o mundo. Trabalhar na roça é uma profissão digna e merece respeito. Tenho orgulho de ser lavradora e agradeço a Deus por tudo que conquistei através da agricultura.”

Neste 28 de julho, o reconhecimento vai para homens e mulheres como Dona Helionarda dos Santos Gomes, que transformam esforço em alimento, esperança e futuro para suas famílias e para todo o Brasil. Seu exemplo reforça a importância de valorizar quem trabalha na terra e contribui, todos os dias, para o desenvolvimento do país.