Por Vaquinho
A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 deixou mais perguntas do que respostas. O empate por 1 a 1 diante de Marrocos, no MetLife Stadium, mostrou uma equipe ainda em construção, vulnerável defensivamente e dependente demais das individualidades para resolver problemas coletivos.
Sim.
Se analisarmos os 90 minutos, o empate acabou refletindo o que aconteceu em campo. Marrocos foi superior durante boa parte do primeiro tempo, dominou o meio-campo, pressionou a saída de bola brasileira e criou as melhores oportunidades. O Brasil só conseguiu equilibrar o jogo após ajustes feitos por Carlo Ancelotti.
Na verdade, em alguns momentos, a sensação era de que o empate saiu até barato para a Seleção Brasileira. Marrocos teve organização, intensidade e soube explorar os espaços deixados pela defesa brasileira.
O gol marroquino nasceu exatamente onde estava o principal problema do Brasil: a transição defensiva.
Após perda de bola no campo ofensivo, Marrocos acelerou rapidamente. Brahim Díaz encontrou um passe vertical perfeito para Saibari, que apareceu entre os zagueiros brasileiros e encobriu Alisson com categoria. A linha defensiva estava desorganizada e sem cobertura adequada.
Quando o coletivo não funcionava, apareceu o talento individual.
Bruno Guimarães encontrou Vinicius pela esquerda. O camisa 7 venceu a marcação, trouxe para dentro e finalizou com extrema qualidade, sem chances para Bono.
Foi uma jogada típica de craque mundial: individual, decisiva e capaz de mudar o rumo emocional da partida.
Foi o melhor jogador do Brasil.
Além do golaço, foi praticamente a única válvula de escape ofensiva durante vários momentos do jogo. Sempre que recebeu em condição de duelo individual, criou perigo.
Ancelotti percebeu rapidamente os problemas.
As entradas de Fabinho e Danilo deram mais equilíbrio ao sistema defensivo e ao meio-campo. O Brasil passou a controlar mais a posse e sofreu menos ataques em velocidade.
Foi o maior problema da partida.
O Brasil teve enorme dificuldade para construir desde a defesa. Os marroquinos pressionavam alto, fechavam linhas de passe e forçavam erros constantes.
Houve muitos passes errados e pouca aproximação entre os setores.
Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá raramente conseguiram controlar o ritmo do jogo.
Em vários momentos o meio brasileiro foi dominado pela movimentação dos marroquinos, especialmente por Bouaddi, Ounahi e El Khannous.
O setor mais preocupante.
Toda vez que o Brasil perdia a bola, Marrocos encontrava espaço para atacar. O posicionamento entre os volantes e a linha defensiva mostrou falhas preocupantes para um candidato ao título mundial.
Apesar de ter nomes de qualidade, a Seleção criou pouco.
Raphinha esteve apagado durante boa parte da partida. Igor Thiago teve participação discreta. Paquetá oscilou bastante. Quando Vini era neutralizado, o ataque brasileiro praticamente desaparecia.
Decisivo, veloz e autor do gol brasileiro.
Participou da construção ofensiva e deu assistência para o empate.
Sem culpa no gol e seguro quando exigido.
Teve dificuldades para controlar os espaços nas costas da defesa.
Lento nas coberturas, sofreu com a intensidade marroquina e acabou substituído no intervalo.
Oscilou muito e teve pouca influência criativa.
Participação abaixo do esperado.
Mais uma vez, Marrocos mostrou por que deixou de ser surpresa para se tornar realidade no futebol mundial.
A equipe africana joga com organização, intensidade e personalidade. Pressiona alto, troca passes com qualidade e possui jogadores tecnicamente muito evoluídos.
Hakimi, Brahim Díaz e Saibari foram fundamentais para a superioridade marroquina em vários momentos do jogo.
O próprio Carlo Ancelotti reconheceu que o Brasil não fez um bom primeiro tempo. Segundo o treinador, a equipe esteve nervosa, perdeu muitas bolas e teve dificuldades para controlar a intensidade do adversário. Ele admitiu que haverá necessidade de evolução para os próximos compromissos.
O empate contra Marrocos não é um desastre. Estamos falando de uma das seleções mais competitivas do futebol mundial atualmente. Porém, a atuação brasileira acende um sinal de alerta.
A Seleção mostrou problemas de compactação, saída de bola, transição defensiva e construção ofensiva. Se por um lado Vinicius Júnior reafirmou seu protagonismo, por outro ficou evidente que o Brasil ainda depende demais do talento individual.
Em Copa do Mundo, talento ganha jogos. Mas organização ganha títulos.
E hoje, entre Brasil e Marrocos, a equipe mais organizada esteve vestida de vermelho.