• dezembro 4, 2025
  • Bahia Realidade News
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Um militante que atua na moderação de espaços ligados a uma rádio de Luís Eduardo Magalhães vem sendo acusado de remover pessoas que comentam assuntos políticos, inclusive jornalistas que apenas exercem análise, opinião e crítica com base em fatos. A prática tem gerado revolta não apenas entre comunicadores, mas também entre cidadãos que enxergam na atitude uma tentativa clara de controle de discurso e silenciamento de vozes independentes.

O episódio se torna ainda mais grave diante do fato de que o próprio dono da rádio é publicamente aliado ao prefeito do município. Essa relação política levanta questionamentos sobre parcialidade, censura seletiva e possível uso do meio de comunicação como instrumento de apoio político. Quando um veículo que deveria informar passa a agir para proteger um lado específico do cenário político, a credibilidade desaparece e a função social do jornalismo é destruída.

Não se trata de uma simples regra de grupo ou de uma moderação comum em redes sociais. Trata-se de cerceamento de opinião e perseguição de quem pensa diferente, algo que fere diretamente princípios garantidos pela Constituição Federal. O artigo 5º assegura a livre manifestação do pensamento e o artigo 220 proíbe qualquer forma de censura de natureza política, ideológica ou artística.

Referência oficial
Constituição Federal de 1988
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

O próprio Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é claro ao afirmar que o profissional da comunicação deve defender a liberdade de expressão, combater qualquer tipo de censura e garantir à sociedade o direito à informação correta e plural. Silenciar jornalistas por discordância política é uma violação direta desse princípio.

Fonte
Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, FENAJ
https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2014/06/etica_2014.pdf

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura também reforça que a independência editorial é um dos pilares fundamentais do jornalismo. Nenhum veículo deve sofrer interferência de governos, partidos ou interesses privados com o objetivo de manipular o conteúdo divulgado à população.

Referência internacional
UNESCO, Liberdade de expressão e independência editorial
https://en.unesco.org/themes/freedom-of-expression

A tentativa de rotular jornalistas e cidadãos como inimigos, apenas por expressarem opiniões, enfraquece a democracia e aprofunda a polarização. Jornalismo não é militância. Jornalismo não é palanque. Jornalismo é dever com a verdade, com a sociedade e com o interesse público.

Transformar uma rádio em extensão de um grupo político é trair a confiança do ouvinte e enganar a população. Quando a crítica é proibida e só o elogio é permitido, já não existe informação, existe propaganda disfarçada.

Hoje são jornalistas e cidadãos críticos que estão sendo removidos. Amanhã, qualquer pessoa que questione poderá ser silenciada. O direito de falar, de questionar e de denunciar irregularidades não pode ser controlado por militantes ou por interesses políticos.

O jornalismo precisa ser independente. Sempre.

.Fonte: Portal Bahia Realidade News
Por: Marciel Guedes