Salários atrasados há dois meses, escola da Fechadinha sem aula, hospital sem remédio e estradas esburacadas: esse é o retrato de Serra do Ramalho enquanto a gestão municipal despeja recursos na vaquejada
Foto: Divulgação
Serra do Ramalho virou palco de um contraste que envergonha: de um lado, o Parque de Vaquejada reluzindo com investimentos milionários, shows caros e contratos que levantam sobrancelhas; de outro, uma população abandonada, que enfrenta hospitais sem seringas, escolas sem água e servidores sem salário. O prefeito Lica, segundo os críticos mais ferrenhos, escolheu o palanque e o cheiro de vaquejada em vez das necessidades mais urgentes de quem o elegeu.
A indignação já não cabe mais nas redes sociais. Ela transborda nas filas do posto de saúde, no silêncio das salas de aula vazias e no desespero das famílias que não conseguem colocar comida na mesa porque o salário — conquistado com o suor do trabalho — simplesmente não chega.
"Serra do Ramalho está esquecida. Está abandonada. O prefeito Lica só pensa em vaquejada, enquanto o povo clama por misericórdia e por dias melhores."Crítico da gestão — repercussão nas redes sociais de Serra do Ramalho
A pergunta que ecoa em cada esquina da cidade é simples e devastadora: de que adianta investir milhões em festa quando falta o essencial para garantir dignidade à população? Quando uma simples seringa — instrumento básico de qualquer unidade de saúde pública — está em falta, algo de muito errado aconteceu na ordem de prioridades dessa administração.
Chegou o mês de junho e, com ele, mais uma dose de humilhação para os servidores contratados de Serra do Ramalho. Há dois meses esses trabalhadores aguardam o pagamento que nunca vem. As contas vencem. O aluguel aperta. A mesa da família depende desse salário — e a gestão Lica não apresenta resposta, não dá direcionamento, não oferece sequer uma previsão.
Não há transparência. Não há explicações. Não há respeito. Apenas o silêncio constrangedor de uma administração que parece ter se esquecido de que quem trabalha tem o direito sagrado de receber.
Pagar em dia quem trabalha não é favor. É obrigação constitucional. Mas, ao que parece, ninguém explicou isso ao prefeito Lica.
No clima junino, a pergunta não poderia ser mais pertinente: olha a cobra! É mentira? Infelizmente não. O atraso é real, o abandono é real e o desrespeito com os trabalhadores de Serra do Ramalho também é real. Junho chegou. O salário, porém, segue desaparecido — sumido, talvez, nas contas que financiam as atrações do parque.
Enquanto a gestão municipal concentra seus esforços — e, segundo fontes, recursos públicos — na divulgação da vaquejada e no Parque Joaquim Machado, a realidade de Serra do Ramalho grita por socorro em múltiplas frentes:
Não se trata de ser contra a vaquejada enquanto tradição cultural. O problema é outro, e é gravíssimo: quando serviços essenciais são abandonados enquanto recursos e holofotes se voltam para eventos e espetáculos, a gestão pública falha em seu dever mais básico. Educação, saúde e valorização dos trabalhadores não são favores da administração — são obrigações inscritas na Constituição.
A população de Serra do Ramalho não pode continuar refém do descaso. É urgente que as instituições de fiscalização e controle debrucem-se sobre a situação e verifiquem se os recursos públicos estão, de fato, sendo aplicados nas necessidades mais urgentes da comunidade.
A BRN exige transparência e responsabilização. O povo merece respostas.
Enquanto as perguntas não forem respondidas, a BRN continuará acompanhando e cobrando. Porque nenhuma festa — por mais grandiosa que seja — pode ser mais importante do que a saúde, a educação e a dignidade do povo de Serra do Ramalho.