
foto Band reprodução
SALVADOR — O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia não teve clima de conversa protocolar. ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) transformaram o palco da Band Bahia em uma arena de cobranças, enquanto Ronaldo Mansur (PSOL) tentou furar a disputa que domina a eleição.
Realizado neste domingo (9), o confronto colocou na mesa problemas que atingem diretamente o eleitor baiano: fila da regulação, segurança pública, educação, Planserv, infraestrutura, estradas e economia. E, quando o assunto esquentou, as propostas deram espaço às críticas entre os adversários.
Um dos momentos mais explosivos ocorreu quando ACM Neto questionou Jerônimo sobre a fila da regulação da saúde pública.
O governador respondeu colocando os resultados de sua administração em evidência e atacando gestões anteriores ligadas ao grupo político de Neto. A discussão rapidamente deixou de ser apenas sobre propostas e passou a colocar passado e presente frente a frente.
O resultado foi um dos principais duelos do debate: de um lado, a oposição tentando transformar os problemas da saúde em cobrança direta ao governo; do outro, Jerônimo defendendo sua gestão e contra-atacando com o histórico político do adversário.
Quando o assunto foi segurança pública, a temperatura voltou a subir.
ACM Neto e Jerônimo foram pressionados sobre um dos temas mais sensíveis para o eleitor baiano. Ronaldo Mansur também entrou no debate defendendo a valorização dos profissionais das forças de segurança.
A questão é inevitável: quem tem respostas concretas para enfrentar a violência na Bahia?
O debate mostrou que segurança deverá ser uma das principais trincheiras da eleição.
O Planserv também virou munição política.
Questionado sobre uma possível privatização do plano dos servidores, ACM Neto negou que pretenda privatizá-lo, mas defendeu a contratação de atendimento na rede privada como forma de reduzir filas.
Mansur reagiu e afirmou que esse caminho poderia abrir espaço para uma futura privatização.
A discussão expôs uma diferença importante entre os candidatos e colocou uma pergunta incômoda no centro do debate:
até onde o governo deve recorrer à rede privada para resolver problemas do serviço público?
Mas foi na discussão sobre infraestrutura que o confronto entre ACM Neto e Jerônimo ganhou ainda mais tensão.
Neto cobrou explicações sobre a situação da BR-324 e questionou informações apresentadas pelo governador. Jerônimo reagiu e voltou a associar o adversário à oposição ao presidente Lula.
A partir daí, a discussão avançou para outras obras e investimentos, incluindo a Ponte Salvador-Itaparica, metrô e VLT.
Em vez de uma simples discussão sobre rodovias, o confronto acabou virando uma disputa sobre quem tem mais responsabilidade pelos problemas e quem pode apresentar resultados para a Bahia.
Outro episódio que chamou atenção ocorreu quando Jerônimo questionou o uso de inteligência artificial na elaboração do plano de governo de ACM Neto.
Neto negou a acusação.
O episódio acrescentou um ingrediente diferente ao confronto e levou a campanha para uma discussão sobre como as propostas dos candidatos estão sendo construídas e apresentadas ao eleitor.
Mesmo sendo uma eleição estadual, o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu no confronto.
Ronaldo Mansur questionou ACM Neto sobre sua relação com o presidente. Neto respondeu defendendo o diálogo institucional e citando o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como seu nome de preferência para a Presidência.
Jerônimo, por sua vez, utilizou a relação de Neto com Lula como elemento de crítica política.
A mensagem foi clara: a eleição para o Governo da Bahia dificilmente ficará isolada da disputa nacional.
Enquanto ACM Neto e Jerônimo concentravam boa parte dos ataques, Ronaldo Mansur buscou apresentar uma terceira via no debate.
O candidato do PSOL criticou os dois grupos políticos e defendeu propostas próprias nas áreas de saúde, segurança, funcionalismo e meio ambiente.
Em alguns momentos, Mansur tentou colocar Neto e Jerônimo no mesmo campo político, argumentando que determinadas políticas dos dois adversários seriam semelhantes.
A estratégia é clara: evitar que a eleição seja tratada apenas como um novo capítulo da rivalidade entre PT e ACM Neto.
O primeiro confronto televisionado mostrou que a campanha pelo Governo da Bahia terá muito mais do que troca de propostas.
Saúde, segurança, educação e infraestrutura já estão colocadas na mesa. Mas, por trás delas, existe uma disputa ainda maior: o eleitor terá de decidir entre a defesa dos resultados do atual governo, a promessa de mudança da oposição e uma alternativa apresentada pelo PSOL.
ACM Neto saiu do debate tentando transformar problemas atuais em cobrança contra Jerônimo.
Jerônimo respondeu recorrendo ao histórico dos grupos que governaram a Bahia antes do PT.
E Mansur tentou desmontar a lógica de uma disputa limitada aos dois principais adversários.
Se o primeiro debate serviu como aperitivo, a tendência é que a campanha esquente — e muito — daqui para frente.
A pergunta que fica para o eleitor baiano é direta:
A resposta, agora, está nas mãos do eleitor.
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