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O Ministério Público da Bahia (MPBA) acendeu um alerta sobre os gastos públicos com os festejos juninos de 2026 em São Desidério. Através da Promotoria de Justiça do município, foi instaurado um procedimento para analisar contratos de atrações musicais que apresentam valores considerados acima dos padrões praticados no mercado.
A investigação teve início após um levantamento realizado com base em dados do Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e do Painel de Transparência dos Festejos Juninos do próprio MPBA. Segundo o órgão, alguns cachês contratados pela Prefeitura apresentam diferenças significativas quando comparados aos valores cobrados pelos mesmos artistas em eventos realizados na Bahia.
O caso que mais chamou a atenção dos promotores envolve a cantora Yasmin Sensação. Conforme os dados analisados, a artista foi contratada por R$ 300 mil para se apresentar no São João do Sítio Grande. O valor é mais de seis vezes superior à média registrada em contratações anteriores da cantora, o que levantou suspeitas sobre a justificativa do preço.
Além dela, outros contratos também entraram na mira do Ministério Público. Entre eles estão apresentações de Léo Magalhães, Companhia do Calypso, Banda Caninana e Thiago Jhonathan, cujos cachês estariam acima dos valores referenciais identificados pelo órgão de fiscalização.
De acordo com o promotor de Justiça Demétrius Ferraz e Silva, a administração municipal deve apresentar documentação detalhada que comprove a compatibilidade dos valores contratados com os preços praticados no mercado. O MP argumenta que a legislação exige justificativas robustas para contratações feitas por inexigibilidade de licitação.
Diante das inconsistências apontadas, foi expedida uma recomendação para que os contratos questionados sejam suspensos até a conclusão das análises. A Prefeitura de São Desidério recebeu prazo de três dias úteis para informar se irá cumprir a recomendação e encaminhar cópias integrais dos processos administrativos relacionados às contratações.
O Ministério Público alerta que, caso as irregularidades sejam confirmadas e as recomendações não sejam atendidas, poderão ser adotadas medidas judiciais, incluindo ações por improbidade administrativa e outras responsabilidades previstas em lei.
O caso segue sob acompanhamento do MPBA e poderá trazer novos desdobramentos nos próximos dias.
**Redação | Bahia Realidade News**