A Justiça determinou, nesta quarta-feira (20), o afastamento de três médicos investigados por graves complicações em cirurgias oftalmológicas realizadas durante um mutirão de catarata em Salvador. O caso ganhou repercussão nacional após pelo menos 13 pacientes perderem a visão entre os meses de fevereiro e abril deste ano.
Segundo as investigações, o mutirão aconteceu em fevereiro na clínica Clivan, unidade particular da capital baiana que também atende pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, 138 idosos passaram pelos procedimentos cirúrgicos gratuitos. Desses, 33 apresentaram complicações graves de saúde, incluindo casos de perda parcial e irreversível da visão.
A decisão judicial ocorre em meio ao avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil da Bahia. Além do afastamento dos profissionais envolvidos, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na clínica nesta quarta-feira.
Durante a operação, os investigadores recolheram diversos materiais considerados importantes para a apuração do caso, incluindo livros de cirurgias, registros de esterilização do Centro de Material e Esterilização (CME), receitas médicas, notas fiscais, computadores, tablet e pendrive.
Todo o material apreendido foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), onde passará por perícia.
De acordo com a polícia, já foram registradas 33 denúncias de lesão corporal culposa. As autoridades também investigam indícios dos crimes de perigo para a vida ou saúde e infração de medida sanitária preventiva.
Após as denúncias, a clínica foi interditada no dia 2 de março. Na ocasião, a unidade informou, por meio de nota, que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança teriam sido rigorosamente seguidos durante o mutirão. A direção destacou ainda que realiza mais de 8 mil cirurgias por ano.
Os pacientes afetados passaram a receber acompanhamento médico no Hospital Geral do Estado (HGE) e no Hospital Santa Luzia.
O caso gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou debates sobre fiscalização, segurança em procedimentos médicos e responsabilidade sanitária em mutirões de saúde realizados pelo SUS.
O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) foi procurado, mas ainda não havia se pronunciado oficialmente até a última atualização desta matéria.
As investigações seguem em andamento e a polícia busca identificar todos os responsáveis pelas complicações registradas durante os procedimentos cirúrgicos.