No vídeo obtido pela BRN, o vereador Uelinton questiona o fato de o prefeito Mariano ter realizado o casamento de sua filha em Mucugê, e não em Correntina. A declaração circulou nos meios políticos e, segundo relatos, antecedeu o episódio de violência. — Fonte: Redes Sociais / BRN
A crise política que tomou conta de Correntina nesta quarta-feira (3) ganhou um novo capítulo — e desta vez o prefeito Mariano recuou. Em nota pública divulgada ao longo do dia, o gestor municipal reconheceu que sua reação foi excessiva e que agiu de forma injustificável ao agredir fisicamente o vereador Uelinton dentro da Multcel. Mas o pedido de desculpas veio acompanhado de uma condição: Mariano alega que a menção pública à sua família, especialmente às suas filhas, teve um peso emocional que o fez perder o controle.
A redação do Bahia Realidade News teve acesso ao vídeo em que o vereador Uelinton questiona o fato de o prefeito ter realizado o casamento de sua filha na cidade de Mucugê — e não em Correntina, município que governa. O comentário, feito em contexto de crítica política à gestão, repercutiu nos meios políticos da cidade e é apontado pelo prefeito como o estopim de sua reação. O vídeo está disponível acima para os leitores avaliarem por si mesmos.
Admite que se excedeu e que sua reação não tem justificativa. Mas afirma que foi profundamente ofendido pela menção pública às suas filhas.
Alega que críticas à sua gestão política fazem parte da vida pública, mas que a exposição de familiares cruzou um limite emocional.
Destaca obras e entregas realizadas no mesmo dia do episódio e classifica a atuação da oposição como "jogo sujo" para desgastar sua imagem.
Afirma que em nenhum momento denigriu a honra das filhas ou de qualquer familiar do prefeito. Classifica a acusação como inverdade fabricada.
Confirma a agressão física e registrou boletim de ocorrência na delegacia de Correntina, acompanhado do vereador Will e da Dra. Daniela.
Emite alerta público: "Se algo acontecer comigo, todos sabem quem deve ser responsabilizado." Declara que não vai recuar do mandato.
O conteúdo do pronunciamento de Uelinton que antecedeu a agressão, obtido com exclusividade pela BRN, é revelador — e não pelo que diz, mas pelo que não diz. O vereador questiona o fato de o prefeito ter escolhido Mucugê, e não Correntina, para realizar o casamento de sua filha. Trata-se de uma crítica de cunho político e simbólico: a ideia de que um gestor que não celebra eventos familiares em sua própria cidade demonstraria certo desprezo pelo município que governa.
"O prefeito casou a filha em Mucugê — não aqui em Correntina, a cidade que ele governa."— Vereador Uelinton, em pronunciamento político · contexto que antecedeu a agressão
Esse tipo de crítica — ainda que espinhosa e pessoal — situa-se no campo do debate político. Vereadores exercem mandato popular e têm, por definição constitucional, ampla liberdade de expressão no exercício de suas funções. Questionar onde o prefeito gasta seu dinheiro, inclusive em eventos familiares, pode ser considerado legítimo fiscalismo — especialmente quando o gestor público lida com recursos e visibilidade da população. Em nenhum trecho do vídeo há ataques diretos às filhas do prefeito nem ofensas de caráter pessoal contra elas.
Um comentário político sobre o local de um casamento — por mais incômodo que seja — justifica que um prefeito saia em busca de um vereador pela cidade, invada seu estabelecimento comercial e o agrida fisicamente? Os vídeos mostram que Mariano procurou Uelinton de forma deliberada antes do episódio. Isso transforma a questão de "reação emocional" em algo potencialmente premeditado — e muda completamente o peso jurídico do caso.
A nota do prefeito Mariano admite o excesso — e isso por si só já é inédito na política local. Mas a estrutura do texto diz muito: o reconhecimento do erro vem sempre acompanhado de uma justificativa emocional, como se a dor de ver a família mencionada pudesse atenuar a gravidade de uma agressão física contra um mandatário eleito. No direito, no jornalismo e no senso comum, isso tem um nome: culpar a vítima pela reação do agressor.
Ao mesmo tempo, o prefeito aproveitou a nota para fazer publicidade de obras e entregas do dia — um movimento que analistas políticos regionais classificam como tentativa de redirecionar o debate e lembrar à população que há realizações acontecendo. A estratégia é conhecida: quando a gestão está no negativo, mostrar asfalto e corte de fita.
Sobre a agressão: O prefeito reconhece que se excedeu e afirma que sua reação não encontra justificativa. Pede desculpas pelo excesso cometido.
Sobre a família: Declara ter se sentido profundamente ofendido pelas menções feitas às suas filhas pelo vereador. Afirma que críticas políticas fazem parte da vida pública, mas que a exposição de familiares teve um peso emocional diferente.
Sobre as obras: Na mesma nota, destaca ações e obras entregues à população no dia do episódio, afirmando que o município vive um momento importante de realizações.
Sobre a oposição: Classifica a atuação da oposição como "jogo sujo" e sugere que determinadas ações teriam o objetivo de desgastar sua imagem perante a população.
O caso segue em investigação policial. A BRN acompanha os desdobramentos junto ao Ministério Público, à Câmara Municipal de Correntina e às autoridades do estado da Bahia. Novas informações serão publicadas à medida que surgirem. Esta matéria será atualizada.